segunda-feira, 12 de junho de 2017

(In)certeza

Sou um poeta morto de alma viva,
mas quem diria...
vivendo da inconstância, do ócio e
da melancolia, na ânsia de virar
mais uma noite e sonhar durante
o dia mesmo estando acordado,
de praxe, acendo mais um cigarro,
imerso na escrita,
mesmo com o pulmão enferrujado
a cada trago brota um verso,
cada cigarro uma estrofe banal
quem sabe com alguns maços
consiga fazer meu recital;

Não sei... vou esperar ficar mais tarde,
alguns vivem da razão e da certeza,
já eu vivo da vontade, inconstante
por natureza, eu não sei do amanhã,
mas por hoje tá beleza, deixa rolar
mesmo que seja momentâneo,
se o universo conspira, então
que seja sempre espontâneo,
de uma forma natural em uma
madrugada de segunda para terça,
alguns litros de vinho, um lugar
distante de tudo, sei que algo acontecerá,
contemplando a lua sozinho,
aconteça o que aconteça,
sei que irei aproveitar, pois eu vivo da vontade,
eu não vivo da certeza.

david alves mendes, david alves, dukranio, poeta


David Alves Mendes

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