sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Quem bate também apanha

O coração sempre leva a culpa
do que fazemos, mas diz o ditado
que quem bate também apanha,
o sentindo não é sofrer, mas ser feliz,
sofremos quando buscamos a felicidade
apenas por não querer estar triste,
por medo da solidão, de toda essa
melancolia, essa depressão;

Tristeza não tem fim, mas felicidade sim,
é assim afinal, tudo que é bom dura...
mas sempre há um final, sempre há um adeus,
um último beijo nesses lábios teus;

Anseio o início, o fim
também anseio ao meio,
apenas pelo receio de não ser feliz,
o grande dilema da felicidade por um triz
se repete. dia por dia, mês por mês,
olha que até tentei, mas não sei se foi dessa vez;

O que fazer? Acendo outro cigarro e depois
de um longo trago me ponho à escrever,
dou tempo ao momento, vazão ao sentimento e,
razão ao pensamento que minha mente trás,
ser feliz ou triste não é o problema, mas sim
pensar, se preocupar, acabar por reclamar demais.


David Alves Mendes

Rotina nossa de cada dia

É tao bonito ver coisas que geralmente nos passam despercebidas, até mesmo coisas que consideramos bobas, coisas que com o passar do tempo se tornam... digamos que futilidades, coisas rotineiras, porém que um dia fizeram sentido para nós, principalmente na infância quando estamos livres de certas amarras, livres de determinadas convicções, preconceitos e toda a degeneração a que somos condicionados ao longo da vida;

Ao passar do tempo somos moldados de uma maneira ao qual estamos insentos de livre arbítrio, pois até mesmo nossas escolhas e caminhos que traçamos sofrem uma determinada influência de alguém ou algo, mas de qualquer maneira realizamos nossos desejos e vontades e para isso muitas vezes devemos nos desapegar da rotina, o que pode assustar alguns, mas não deixa de encantar a outros, afinal, o que é diferente sempre causa determinada dúvida, o que é natural ao ser humano e, acima de tudo, temos a capacidade de nos adaptar facilmente ao meio em que vivemos, e na maioria das vezes nos adaptamos e nos apegamos tanto à determinado estilo de vida ao ponto do mesmo acabar caindo na rotina;

Aos poucos as coisas vão perdendo o brilho que possuíam inicialmente, a primeira vez que você faz algo parece excepcional, porém na décima primeira vez já não é tao empolgante assim, de qualquer forma seguimos em frente, e a cada manhã quando o sol nasce mais uma vez ao leste, nos levantamos de nossas camas sempre em busca de mais do mesmo, porém muitos tem receio de tentar serem maior do que são, e sempre estão buscando um certo tipo de equilíbrio, uma estabilidade que nos passa uma "sensação de segurança", sensação essa ao qual nos apegamos ao ponto de esquecer daquilo que buscamos diariamente, pois mesmo que de uma maneira inconsciente, todos nós buscamos alguma coisa a mais do que estamos habituados, mas poucos são os que encontram;

Isso acontece pelo simples fato de sentirmos medo de ir além da nossa zona de conforto onde temos a falsa sensação de segurança, por mais que saibamos que há um mundo inteiro de oportunidades lá fora esperando serem conquistadas, estamos satisfeitos com o que já conquistamos, mas se pensarmos dessa forma, não regrediremos, muito menos evoluiremos, apenas continuaremos no mesmo lugar de sempre. 

Mudanças não são apenas necessárias, elas são essenciais, muitas vezes para alcançar novas conquistas é preciso abrir mão de outras.


David Alves Mendes
25/07/17

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Eis que sou poesia - Lançamento


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Capa do livro produzida graficamente
pelo autor.



"Eis que sou poesia" dará vida ao projeto ao qual eu tanto me dediquei nos últimos meses. será a obra poética que estreará a coletânea "Catarse Poética", um projeto totalmente independente que idealizei apenas pelo constante desejo de escrever e compartilhar pontos de vista e pensamentos paralelos.

Todas as poesias foram escritas no final do ano passado (2016), as escrevi em dias e "estados espirituais e emocionais" diferentes, assim como lugares distintos, sempre andando sem rumo nas avenidas de Itapipoca, caminhando em busca de um pouco de inspiração, já que a temática da obra é livre, inclusive (ironicamente) se intitularia "A Poesia Liberta", porém, decidi que seria melhor chamá-la de "Eis que sou poesia" o que de certo modo lembra a palavra "Esquizofrenia", sendo assim a obra, metaforicamente, fruto de uma mente perturbada, porém, consciente e questionava.

"Eis que sou Poesia" estará disponível em versão PDF para download aqui no blog e também em outras plataformas de leitura. A divulgação da obra será feita através de minhas redes sociais e blogs. Inclusive foi criado um evento no Facebook para o lançamento do livro, que estará disponível na web à partir da próxima sexta-feira (dia 23), lembrando que a obra em sua versão digital não lhe custará nada além de tempo, para baixar, ler e refletir, pois...

É assim que nasce a "Catarse Poética".


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Pode ser

Pode ser que eu desapareça,
 amadureça, me fortaleça,
 o tempo passe, meu cabelo...
 minha barba cresça,
 minha mente evolua
 enquanto a lua continua a mesma;

Caminhado pelas beiras das calçadas,
 com mil pensamentos embalados
 na cabeça, lembranças de momentos
 guardados que por mais que tente
 minha mente não esqueça...

Pode ser que o que espero
 nunca aconteça, o sonho
 se acabe e eu volte a dormir,
 pode ser que o que espero
 já tenha passado e nem vi,
 desatento do jeito que sou
 me aprofundo sempre em
 minha mente e o pensamento
 que agora se formou, por vez,
 se desfez, em um loop que
 não para por um instante,
 a frequência da mente é constante,
 então escrevo o que me vem na cabeça,
 se um dia eu sumir, pode ser que volte
 e, talvez quem sabe, ninguém me reconheça.

david alves mendes, escritor, poesia


David Alves Mendes

segunda-feira, 12 de junho de 2017

(In)certeza

Sou um poeta morto de alma viva,
mas quem diria...
vivendo da inconstância, do ócio e
da melancolia, na ânsia de virar
mais uma noite e sonhar durante
o dia mesmo estando acordado,
de praxe, acendo mais um cigarro,
imerso na escrita,
mesmo com o pulmão enferrujado
a cada trago brota um verso,
cada cigarro uma estrofe banal
quem sabe com alguns maços
consiga fazer meu recital;

Não sei... vou esperar ficar mais tarde,
alguns vivem da razão e da certeza,
já eu vivo da vontade, inconstante
por natureza, eu não sei do amanhã,
mas por hoje tá beleza, deixa rolar
mesmo que seja momentâneo,
se o universo conspira, então
que seja sempre espontâneo,
de uma forma natural em uma
madrugada de segunda para terça,
alguns litros de vinho, um lugar
distante de tudo, sei que algo acontecerá,
contemplando a lua sozinho,
aconteça o que aconteça,
sei que irei aproveitar, pois eu vivo da vontade,
eu não vivo da certeza.

david alves mendes, david alves, dukranio, poeta


David Alves Mendes

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Poeira Cósmica

Todos somos falhos por nascença, matamos uns aos outros, julgamos, temos preconceito, vivemos atolados em ignorância. 

Dentre todas as espécies do planeta, somos os únicos que destruímos nosso habitat natural, e ainda nos julgamos superiores por possuir dinheiro, poder, fama, entre outros inúmeros rótulos fúteis que a sociedade impõe.

No final, todo mundo acaba apodrecendo e tendo as entranhas devoradas por insetos e larvas dentro de um caixão, devemos pensar nisso antes de julgar alguém ou se achar superior.

Somos poeira cósmica.


David Alves Mendes

sábado, 4 de março de 2017

Brisa Momentânea

Poesia, Reflexão, Trecho, Universo, David Alves Mendes

A realidade vai além do que podemos ver, nossa...
existem tantas dimensões que não somos capazes de enxergar, apesar de estarmos sempre em conexão com elas,
pertencemos a esse plano, sabemos existir, sabemos que somos alguém,
só precisamos nos permitir ir mais além,
em meio a esse constante vai e vem,
...
é fácil ver, tente buscar sentir,
permita-se por um instante, transgredir,
se expandir.

David Alves Mendes

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

10 citações de minha autoria

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1: "Fugir da rotina, quero novas vistas pr'acalmar a retina."


2: "Preciso apagar a brasa,
 tomar menos comprimidos,
 sair mais de casa
 dar menos ouvidos."


3: "Quando o sono começa a chegar, os seus sonhos se afastam para se tornarem mais concretos."


4: "As vezes me encontro a quilômetros de mim mesmo, com um vácuo na mente, sem pensamentos, vozes ou perturbações interiores, apenas o silêncio...o sombrio e aconchegante silêncio da existência.
— Aonde está indo? — pergunto calmamente á minha alma, obtendo a seguinte resposta: Vou descansar um pouco deste mundo."



5: "Viver da arte é ótimo, porém,
viver a arte é uma dádiva."


6:
A verdade muitas vezes soa como um punhal sendo cravado em seu peito!
E a mentira acaba se tornando uma grande confortável ilusão...



7: Com a escrita, dessa realidade eu me safo
já que na real eu não escrevo,
mas psicografo.


8:
Tantos papéis amassados,
cigarros apagados,
pensamentos mal interpretados,
e eu aqui, vendo o tempo passar
diante de minha retina, afastando...
pra longe a rotina que chega a me sufocar.



9: Indecisão em reflexões,
me encontro são, perdido em
minhas próprias contradições,
um vazio existencial a me comprimir,
o desejo de alojar um projétil no crânio...
e sumir daqui, mas a alma não morre,
e por mais que a vida seja um porre,
ao meu ver só o que resta mesmo é viver.




10: Clima frio, agradavelmente melancólico e um aconchegante aroma de chuva, que trás uma suave nostalgia, me remete devaneios de um outro instante cheio de histórias, de outro invernos, épocas das quais não se esquece.
Como o cheiro atraente de chocolate quente enquanto minúsculas gotas de chuva caem no alvorecer, quando os primeiros raios de sol surgem e os pássaros começam a cantar uma melodia que nos dá um pouco de sonolência.
As madrugadas são longas.


david alves mendes, citações, frases


David Alves Mendes

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O sentimentalismo da razão

A única função do coração é bombear
o sangue e transportar o oxigênio
para o resto do corpo, amar é
opcional, segunda opção,
então por que sinto tanto amor então?

Como ser sentimental sem perder a razão?
Remoendo o que sinto em reflexos
inconstante de meu cérebro e coração,
sentimentos indefiníveis que muitas vezes
me deixa mal, como algo assim é opcional
se não escolhi sentir, me sentir tão anormal...
desigual e incompleto, incerto do final,
se vai doer ou não,
se vai valer ou vai ser em vão.


David Alves Mendes

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Não existe padrão de beleza, apenas beleza

Não existe padrão de beleza, apenas beleza, cada um a interpreta como convém, e isso não se limita à estética. Tal beleza humana está em pequenos detalhes, como ações que muitas vezes passam despercebidas. Na maioria das vezes quem busca ser discreto, acaba se tornando alvo de muitas atenções.


O que quero dizer é que cada um possui seus conceitos e definições do que seria "alguém bonito", dotado de uma beleza tanto interior, quanto exterior, um exemplo que tenho a dar é que o que alguns podem considerar feio, outros já acham bonito, por natureza.


Cada um possui, baseado em sua psique, uma definição preestabelecida do que lhe agrada ou não, e tal manifestação de pensamento é algo tão individual, que não pode ser levado à uma manifestação coletiva, por esse motivo que não há padrão ou parâmetro de beleza, isso não passa de um rótulo pejorativo.


Existem muitas definições em dicionários acerca do que seria beleza, uma delas é: "caráter do ser ou da coisa que desperta sentimento de êxtase, admiração ou prazer através dos sentidos", isso não pode ser moldado, por ventura, tal "padrão de beleza" é mais uma ilusão.


Para concluir ressalto que o corpo nada mais é do que a roupa que veste a alma, palavras essas que me ocorreram de última hora.

David Alves Mendes


domingo, 8 de janeiro de 2017

Sem muita compostura,
trespasso com passos leves
cada viela escura que estende-se
à minha frente, expandindo os
horizontes de minha loucura.


David Alves Mendes
Chega um momento da vida em que morremos para o mundo, só assim podemos nos encontrar em nós mesmos e enfim renascer nessa metamorfose constante e disforme de nossos espíritos.

David Alves Mendes

Na solidão da madrugada,
 minha mente pensa em tudo,
 vagueando pelo nada.

David Alves Mendes

Não prive-se de sua liberdade,
 não há prisão pior que a mente,
 pense, é bom e grátis.

David Alves Mendes

"Quem não tem dinheiro não faz faculdade"

O sistema não quer uma geração de pensadores, quer uma geração de marionetes que possuem certificado e diploma, mas por vez, não possuem o conhecimento ou a sabedoria, possuem apenas o hábito de seguir ordens sem questionar, a velha história da boiada seguindo pro abate sem sequer reclamar, o mal do brasileiro é se conformar com tudo pois já se acostumou com o governo fodendo a população e não enxerga saída a não ser se submeter.

Pessoas diplomadas e tão desprovidas de racionalidade quanto estúpidas são as mesmas que estão no poder e afirmam com naturalidade que:

"Quem não tem dinheiro não faz faculdade"

É, a cada dia que passa certos indivíduos de terno e gravata afundam mais nosso país. Acho que foi daí que nasceu o ditado de que brasileiro não desiste nunca, de qualquer maneira, enquanto restar ar em meus pulmões, não me calarei perante à toda essa merda que nos é imposta, qual será o próximo passo, proibir o livre e espontâneo pensamento? Eu queria ver eles tentarem...


David Alves Mendes

Prometi não demorar

Seu beijo tinha gosto de sangue,
 seu perfume era exótico, exalava
 um aroma parecido com o de morte,
 o toque era frio, podia sentir tua pele
 gélida nas palmas de minhas mãos,
 sua vivacidade sumiu antes que eu percebesse
 que estava agarrado à um cadáver;

Overdose, já era a terceira em menos de um mês,
 sabia que não escaparia...

Seu corpo estava ausente de vida,
 mas o meu não...
 Seu corpo estava ausente de sentimentos,
 ausente de ódio ou amor,
 mas o meu não...

Se não desejavas me abandonar,
 seu desejo foi concedido,
 nunca tive medo da morte,
 tenho mais medo do abandono,
 da distância, da solidão, do cruel adeus,
 mas enquanto restava um fio
 brilhante de vida em teus olhos,
 insisti em encara-los e sorrir,
 e mesmo entre lágrimas houve
 tempo para um último "eu te amo",
 mas depois que eles tornaram-se
 ausentes de vida, apenas passei
 os dedos sobre suas pálpebras,
 limpei as gotas de sangue que
 escorriam de seus lábios e,
 mais uma vez a beijei,
 permaneci entrelaçado
 em teu cadáver por longos minutos...

Então levantei-me, com o rosto
 coberto de lágrimas, os lábios
 manchados de sangue seco,
 caminhei até a cômoda ao lado
 da cama onde tu jazia,
 abri a gaveta, e peguei
 uma pistola, enquanto
 acariciava teu rosto pálido
 e sentia teus cabelos com a
 ponta dos dedos da mão esquerda,
 usei a outra mão para apontar
 a arma para minha cabeça;
Estava pronto,
 pronto pra te encontrar
 fosse no céu ou no inferno,
 pedi que o diabo tivesse piedade e
 que deus perdoasse essa alma maldita...

Imaginei estilhaços de meu crânio
 se espalhando por todo o quarto,
 enquanto meu corpo caia sobre o seu,
 ambos ausentes de vida, ausentes
 de um sentimento que um dia foi mais que vivo,
 ver a morte tão perto não me agradou, mas pensei:

 "Estou indo te encontrar,
 já sinto saudades e prometi
 não demorar."

Então, sem hesitar, puxei o gatilho.

David Alves Mendes

As vezes me pego
 pensando na vida,
 procurando quase cego,
 uma salvação, uma saída,
 já que dificilmente me entrego
 à esses padrões e convicções malditas.

David Alves Mendes