quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Catarse Poética (2017)



Neste ano que, a propósito, está batendo na porta, estarei lançando um livreto voltado à poesia reflexiva, produzido totalmente independente, este por vez, parte de uma coletânea que intitulei de "Catarse Poética", um projeto literário, livre de rótulos,  que vim planejando durante 2016.


Projeto esse meramente gradativo, isso é, se expandirá com o interrupto passar do tempo, terá continuidade à cada nova obra publicada, e no mês passado concluí (depois de uma busca incessante de inspiração) a primeira obra, carregando o título "Eis que sou poesia", esse livreto trará consigo dez poesias que escrevi no final deste ano de 2016, cada qual em lugares, momentos e estados de consciência alternativos/diferentes, como "Felicidade é Mato" poesia composta por versos que surgiram em minha mente enquanto deitado na grama, observando o céu, ouvia o som hipnotizante das águas daquele açude enquanto a brisa do vento batia suavemente em meu corpo, levando a fumaça de meu baseado para longe, então decidi levantar, pegar meu caderno/caneta e começar a colocar os pensamentos em ordem, as outras nove poesias seguem no mesmo ritmo, escritas a mão e naturalmente, sem precisar forçar a mente, apenas transbordar-se em sílabas sobre o papel.

Todos os livretos da coletânea terão produção e impressão gráfica independente, como foi dito anteriormente, sob uma perspectiva geral, as obras (produzidas. em produção e sob planejamento) carregarão um mesmo selo, símbolo da iniciativa de trabalhar em uma obra totalmente livre de rotulação. Algumas versões serão impressas e vendidas pelo próprio autor, particularmente pretendo divulgar esse trabalho tanto nas ruas quanto na web, onde disponibilizarei aqui em meu blog pessoal a versão digital do livros para download gratuito buscando incentivar o valor que muitos artistas independentes merecem, mas não recebem, preocupando-me mais com a produtividade da ideia, do que com lucros que a mesma pode gerar, desfrutando do tempo que nos leva do ócio, ao ápice da criatividade.

"Eis que sou poesia" significa para me um tipo de transtorno pelo qual passamos quando enfrentamos mudanças bruscas ao nosso redor, algo semelhante à uma catarse existencial, e, como tendo sido escrito no final desse ano, marca o final de mais um ciclo anual, como dita a famosa "Roda do Ano" celta, marcando suas estações e transições, unificando-nos à natureza, graças a essa energia ínfima que paira sobre nós que a mesma exala, em uma contagiante alomorfia constante que também nos afeta, as mudanças são tão constantes quanto adaptações ao pré-estabelecido, e é exatamente nessa brecha entre mudanças e adaptações que tal Catarse Poética ganha vida como o intuito de espalhar versos e parágrafos por aí, frutos de uma mente turbulenta que procura exaltar sua voz interior em meio ao silêncio dessa realidade ilusória.

P.S. Dedico esta obra à todo poeta que habita em cada um de nós!


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Confinado em meu ser

Confinado no meu recanto, 
em meu ser, são, 
buscando nessa catarse uma 
maneira melhor de me entender 
defronte uma nova compreensão,
um novo jeito de de ver
as origens, o mesmo horizonte, 
trocando de folhas e frutos, 
sempre com as mesmas raízes,
regadas em águas d'outras fontes.



David Alves Mendes
Poetas nascem do sofrimento com o dom de canalizar sua dor, transformando-a em poesia, lágrimas conscritas em versos articulados, dessa maneira, é capaz de tocar outras almas igualmente melancólicas em um pleno estado quase que de catarse.

David Alves Mendes
No quesito emoção,
certas raízes, são tão profundas, que vão 
deixando, então, cicatrizes que marcam seu coração.

David Alves Mendes
Colocar de alma e coração,
palavras em sintonia no papel.
Dando vazão à sóbria imensidão,
que exala melancolia ao escurecer do céu.
Essa que me apetece no alvorecer,
de tardinha e ao surgir a lua,
lá no seu cantinho, agrada ao interceder 
com seu brilho que ilumina as sombras
dos becos, vielas e da rua onde caminho.

David Alves Mendes
As pessoas só estarão prontas para um recomeço quando aceitarem que existe um fim.

David Alves Mendes
Se renegarmos nossas raízes,
por vez, ruiremos, sem 
nosso vital e vigoroso alicerce
que nos finca à essa existência.

David Alves Mendes
O amor nada mais é do que
a certeza de que somos humanos,
e mesmo conscientes da razão,
sempre nos perderemos a caminhar, 
trilhando esses longos e profundos 
caminhos do coração, traçando metas,
e planos oriundos de pura emoção,
pela questão certa e sua consequência
sem parar, ou descansar, na ciência de que 
as forças do amar nunca serão em vão,
e em nosso ínfimo ser, dando vazão
à emoção que nunca vai cessar.

David Alves Mendes
Tolo é aquele
que nega, aceitando
a ignorância ao invés
de regar e nutrir
seu conhecimento.

David Alves Mendes
Quem não deve não teme,
quem deve,
paga sem t(r)emer.

David Alves Mendes
A loucura pode ser
um instinto,
um ato de insanidade,
ou um simples estado de espírito.

David Alves Mendes
A paz é uma ilusão criada por aqueles que vivem em guerra não só com o inimigo, mas consigo mesmo!

David Alves Mendes
Embarque na viagem da vida, se der vai até de carona, mas não pare na estrada, você pode ser atropelado pelo ócio!

David Alves Mendes
Tenho um pequeno sonho
que almeja grandes realizações.

David Alves Mendes
Ah sim, a loucura... 
Essa é a essência primordial do ser humano.
Um ser meramente existencialista, sentimental e materialista que busca todos os dias novas razões e motivos em que acreditar.

David Alves Mendes
Quero expandir-me,
a descobrir-me em novos horizontes.

David Alves Mendes
A educação e a escola podem caminhar no mesmo rumo, mas nunca terão o mesmo significado, do que vale possuir um certificado sem conhecimento? É o mesmo que ter asas, e não conseguir voar!

David Alves Mendes
Saudade é sinônimo de vazio 
Naquela triste ânsia 
De um abraço nesse frio,
Em meio à essa chata distância
Sentindo-se incompleto,
Inconstante e incerto,
por estar distante,
mantendo o pensamento sempre perto.

Saudade é o sentimento que indica
quem realmente é importante em sua vida,
É na distância, na dor, na ferida, no sofrimento
que se atribui maior valor ao verdadeiro sentimento.

David Alves Mendes

Falsos

Estava escrevendo uma poesia agora à pouco e parei para refletir sobre falsidade, e aproveitar para escrever um pouco por aqui.
De súbito pensei, pessoas falsas também são interesseiras de um certo modo, e eu, por ser introvertido, meio antissocial, tão cheio de um nada, acabo afastando esse tipo de gente, canalizo apenas energias que me são úteis, os interesses de dissimulados sociais não são compatíveis com os meus interesses particulares, e até muitos consideravelmente íntimos, bastante significativos para me.

Muitos afirmam erroneamente que tem amigos falsos, por ventura, quando a falsidade se faz presente, não há espaço para amizade, não existem amigos falsos, existem apenas falsos.

Amizade é irmandade, lealdade e companheirismo, quando esses três valores predomina, não existe essa de falsidade.

David Alves Mendes
Seria o amor contagioso?
Acho que não,
mas deveria ser recíproco.

David Alves Mendes
Minha revolta não é com Cristo, mas com as religiões que utilizam as belas palavras de sabedoria espiritual do mesmo para gerar lucro.

Um sábio disse:

"A religião prende a mente,
A espiritualidade liberta a consciência"

Uma grande mulher afirmou:

"Não há religião superior à verdade"

Eu complemento com uma citação, que por ventura, resume a questão em onze palavras:

"Minha religião é o amor,
Meu templo são os corações"

David Alves Mendes
Medo gera medo, 
preocupações geram preocupações, 
rancor gera rancor, 
então ame.

David Alves Mendes

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Nicolau Maquiavel: O cidadão sem fortuna, O intelectual de virtú [Análise e Fichamento]

Nicolau Maquiavel:
O cidadão sem fortuna,
O intelectual de virtú

(Maria Tereza Sadek)




– FICHAMENTO E ANÁLISE POR DAVID ALVES MENDES – 


CÁP. II

“ [...] Nos Estados hereditários e acostumados a ver reinar a família do seu príncipe, há dificuldades muito menores para mantê-los, do que nos novos; porque basta apenas conservar neles a ordem estabelecida por seus antepassados e em seguida contemporizar com os acontecimentos [...] ”


As tradições e leis de um Estado hereditário vão depender de família para família, e se o príncipe conhece tão bem à sua quanto conhece seus antepassados, nada é mais familiar para o mesmo que suas leis, tradições, e principalmente suas maneiras de governar mantendo sempre o equilíbrio no Principado sem usar do abuso de poder, tal conhecimento será de grande ajuda para manter à ordem necessária ao Estado. Do contrário, sem esse conhecimento, os meios de se governar, pode ser mal visto pelo povo (já acostumado com o principado antecendente), dependendo de como agir de acordo com as necessidades e sua virtú.



CÁP. III

“ [...] Homens gostam de mudar de senhor, julgando melhorar e esta crença é ilusória, pois mais tarde a experiência lhes mostra que pioraram [...] ”


É natural do ser humano não contentar-se com o que possui em mãos, cometendo graves atos que julgam melhorar seu Estado, quando fazem o oposto, se sujeitando à alguém que não conhecem como deveriam, os deixando cegos a abrir espaços para novos governantes de índole desconhecida e muitas vezes dissimuladas, o que pode levar tal Estado de mal a pior do que estava em poderio do antigo Principado.



CÁP. III

“ [...] se faz necessário ter fortuna propícia e grande indústria para conservá-los [os territórios]. Um dos melhores em mais eficazes meios de tornar mais seguro e duradouro a posse, seria, ir o adquirente nelas residir [...] ”


É mais fácil cuidar de uma família quando se mora na mesma residência que tal, isso, tanto pela proximidade quanto pela intimidade e confiança que adquire-se da mesma, à partir dessa proximidade. O mesmo funciona em prol do estado, como um povo, então, irá confiar em um Principado ausente? Sem ressaltar que, tentar resolver problemas à distância acaba se tornando o próprio problema, sem possuir noção das proporções que isso pode tomar.


CÁP. III

“ [...] Os exércitos são tão inúteis, quanto úteis são as colônias [...] ”


O exército, na maioria das vezes é a última opção, tanto por serem vistos quase como fascistas graças seu autoritarismo e o abuso da violência praticada pelos mesmos, e no caso de preservar territórios, os militares, em sua vez, causariam apenas confusão e tumulto, mantendo uma ordem por meio da desordem. Para que colocar dezenas e dezenas de homens armados e fardados em um território para denominar posse, quando se pode construir residências à fim de civilizar e colonizar tais áreas, mostrando assim, de forma eficaz, que tais terras já possuem um dono.



CÁP. IV

“ [...] Na França, ao lado do soberano há uma grande quantidade de senhores de antiga linhagem reconhecidos por seus súditos e por estes, amados, cujos privilégios não pode o rei destruir sem perigo para si próprio [...] ”


O soberano possui um círculo social bastante importante, formado por pessoas igualmente importantes tanto para o Principado quanto para a população, e estando ao lado, de acordo com esse tal círculo, o soberano torna-se quase invulnerável, sendo como é, importante, além de possuir amigos e aliados ao mesmo nível, por ventura, se o mesmo os rejeita com seus privilégios, estará rejeitando também seus súditos, criando assim um problema importuno, sendo uma ameaça considerável para seu reinado.



CÁP. VI

“ [...] Os que de particulares chegam à condição de príncipes impelidos unicamente pelo destino, com pouco esforço a alcançam, mas com muito a retém [...] ”


A sorte e o destino, apesar de serem bem diferentes, vistas de um ângulo melhor, acabam trilhando caminhos semelhantes, e um Principado que possui um príncipe “nomeado ao acaso”, por mera sorte, sem possuir a experiência adquirida de uma caminhada árdua, repleta de acusações, críticas e sofrimento, dificilmente estará preparado e saberá lidar em momentos difíceis para seu governo, onde estará ameaçado, e por não saber lidar com isso, facilmente perderá o domínio do Principado, pois não sabe, nem pode sustentar-se.








CÁP. IX

“ [...] Aquele que sobe ao poder com o favor popular não encontra em torno de si ninguém ou quase ninguém que não esteja disposto a obedecer-lhe, não se pode honestamente satisfazer os poderosos sem lesar os outros; o intento dos pequenos é mais honesto que o dos grandes; enquanto estes desejam oprimir aqueles que não querem ser oprimidos [...] ”


Como já foi dito, o Principado origina-se da vontade do povo, e apesar do fato dos magnatas serem realmente poderosos, o povo, por vez, unido em prol de um ideal em comum, é capaz de mover montanhas, em metáfora, e na maioria das vezes, as atitudes dissimuladas por trás de um moralismo ingênuo vindo dos que consideram-se grandes, sofrem um grande choque perante ao poder e indignação do povo em relação à essas demandas de um governo que busca manter algum tipo de ordem com sua infame opressão, ao chegar à esse ponto, não há nada a fazer-se, se não, dar vazão à voz da população, eis um ditado que se refere a tal fato, o mesmo diz: “A voz de deus é a voz do povo”, e os que ganham a confiança desse, ganham também o privilégio de um Principado próspero e duradouro.



CÁP. XIX

“ [...] Entre como se vive e como se devia viver há tamanha diferença, que aquele que despreza o que faz pelo que deveria fazer aprende a trabalhar em prol da sua ruína do que da sua conservação. Quem num mundo cheio de perversos pretende seguir em tudo os ditames da bondade, caminha inevitavelmente para sua própria perdição [...] ”


É necessário a um príncipe que almeja sua conservação saber agir e lidar com suas emoções de acordo com suas necessidades, assim como deve-se sonhar com os pés no chão para manter-se em postura diante ao julgamento dos homens, sabendo então, agir da forma correta em prol de cada situação que vier a si ou seu Principado, trabalhando em seu devido presente sem perder um tempo irrecuperáveis com problemas banais de um futuro distante que, sequer, pode acontecer. Sabendo agir dessa forma, aprenderá como se joga tal jogo, e quando der então as cartas, terá uma plena confiança na sua jogada.



CÁP. XVII

“ [...] Existem dois modos para combater: um com as leis, outro com a força. O primeiro é próprio do homem, o segundo dos animais. Não sendo porém, muitas vezes suficiente o primeiro, convém recorrer ao segundo. Por conseguinte, a um príncipe é mister saber comportar-se como homem e animal [...] ”

As leis foram criadas para manter a ordem e combater a desordem de uma maneira menos agressiva e mais convencional, mesmo que burocrática, porém quando essa sai do controle, é necessário o uso da força (nesse momento o exército pode ser útil ao governo), e tratando-se do príncipe, é necessário fluir entre os obstáculos impostos para conhecê-los e combatê-los, seja de uma forma não necessariamente agressiva, nem burocrática, mas consistente, afinal todo homem, todo ser humano possui seu lado animalesco, e por ventura, não apenas pode como deve agir dessas duas formas, já que nesse quesito não se existe bem ou mal, mas apenas certo e errado, no caso, o errado seria não reconhecer ou desfrutar de sua própria natureza.



CÁP. XVII

“ [...] Os homens em geral formam as suas opiniões guiando-se antes pela vista do que pelo tato; pois todos sabem ver, mas poucos sentir. Cada qual vê o que parecemos ser; poucos sentem o que realmente somos. E estes poucos não ousam opor-se à opinião de muitos, que, atrás de si, tem a defendê-los a majestade do poder [...] ”

O que muitos chamam de poder é apenas uma sombra, algo que podemos ver, mas não conseguimos tocar, e mesmo não deixando de ser real, ainda assim não se distancia da ilusão; a imagem que passamos, sejamos súdito ou rei, é apenas um reflexo de um dos lados desse prisma multifacetado que é a nossa essência, por vez, também intocável, somos incapazes de tocá-la, e mesmo que inconscientes, não conseguimos vê-las, mas estaríamos mentindo à nos mesmos se negássemos o fato de que somos capazes de senti-la constantemente, e os que são capazes de ver o que sentem, muitas vezes calam-se por medo de represálias, já que opor-se à majestade é se opor ao estado e consequentemente à sua sociedade, e beirando o que alguns chamam de anarquismo, procuramos manter-nos nos eixos por medo da repressão, afinal, os que buscam louvor, não se ofendem com a censura, e se for para embarcar na contramão, é preciso saber remar bem contra a maré.



CÁP. XIX

“ [...] O príncipe deve em geral abster-se de praticar o que quer que o torne malquisto ou desprezível. Assim fazendo, cumprirá sua missão e eliminará os riscos, por ventura resultante de seus outros defeitos [...] ”

Um príncipe, no geral, deve medir suas ações e calcular bem seus passos, tomando cuidado onde coloca os pés para não pisar ou ferir a honra de ninguém, principalmente de seu povo. Do contrário, abusando da arrogância se tem por consequência a antipatia e o desprezo (as vezes recíproco) de seus próprios súditos, se tornando neutro em quesito respeito, perdendo assim também sua honra, a consideração e o respeito entre governantes e governados. Se não conquista seu povo, não é capaz de conquistar seu nome no Principado.



CÁP. XXI

“ [...] Também se torna estimado quando sabe ser verdadeiro amigo ou verdadeiro inimigo; quando abertamente se declara a favor de alguém contra outrem. Esta resolução é sempre mais vantajosa do que permanecer neutro [...] ”


A determinação de um príncipe é seu cartão de visitas, assim como sua atitude de definir, escolher e compartilhar de suas verdades com o povo, esconder ou dissimular suas opiniões pode ser arriscado e o tornar mal visto por terceiros. Sendo contra ou a favor, é necessário manifestar-se em prol de uma opinião, seja essa pessoal ou coletiva. Ao permanecer neutro em relação à dois lados opostos por receio de críticas e rejeições, acaba sendo rejeitado pela maioria, sofrendo críticas de não possuir atitude, ou escolha própria, não sabendo lidar com a situação.



CÁP. XXV

“ [...] Como deseje, porém, ser mais minucioso, chamarei atenção para o fato assaz comum de um príncipe prosperar hoje e ruir amanhã, sem que a índole ou o proceder se lhe hajam modificado [...] ”


A índole é algo provindo da natureza humana, já nascemos dotados com tal, que por vez, pode ser moldada com o tempo graças a fatores tanto externos quanto internos, e ao tratar-se de um Principado, podemos perceber o domínio de príncipes tanto de má, quanto de boa índole, essa que flui calmamente transpassando suave ou violentamente, no segundo caso, destruindo o que foi construído, talvez, com esforço, sempre haverá uma consequência maior perante um ato grandioso, ato essa que pode constituir ou destruir seu Principado. Um príncipe por sua vez, com a mesma facilidade em que alcança tal posição, também pode facilmente perde-la, e com essa consciência, busca realizar o que está em seu alcance, pois essa é sua função e proceder; a maneira como procede baseia-se em suas necessidades e primordialmente às de seu povo, então, mesmo que na ciência de que terá seu cargo destituído, manterá a cabeça erguida e, mesmo perante às ruínas do que construiu, junto da ajuda de seu povo, não abandonara este, afinal pode prosperar e ruir quantas vezes necessárias, por ventura, sua índole, sua memória e proceder permanecerá intacto em pura adaptação à natureza de seu tempo, povo e território, desse modo, será bem quisto estando ou não no poder, já que o que vale não é o que deixastes de fazer, mas o que fizestes em prol de seu Estado e seu povo.