segunda-feira, 11 de julho de 2016

A Perseguição


Desculpe-me, mas está história eu preciso contar. Era outono, as ruas do meu bairro se mostravam frias, principalmente, quando passava das oito da noite, horário em que costumava voltar para casa do parque onde ficava trocando ideias com meus poucos amigos que havia feito durante o ano letivo, geralmente saíamos pra curtir um som e relaxar, geralmente ouvíamos muito rap, e fumar maconha era conosco mesmo. Já estávamos todos chapados e fartos, quem não estava morgado conversava sobre algo que eu não entendia por estar com a mente em outro lugar.
- Tá ficando tarde e a erva acabou, acho melhor a gente vazar - exclamou alguém da roda, e de repente geral concordou.
Saímos daquela morgação e nos levantamos aos poucos seguindo cambaleando  em direção a trilha que levava até a saída do parque. 

Para a sorte deles, todos moravam próximos um do outro, na mesma quebrada, já eu morava do outro lado da cidade, o que resulta em aproximadamente em sete quarteirões sem iluminação até a rodoviária, o que me dava um tempo para parar no bar da esquina e comprar uma gelada para tomar no ônibus à caminho de casa.

Estava tão frio que era possível enxergar a própria respiração, como se toda a fumaça dos cigarros que já fumei começasse a sair de repente por minha boca, a brisa gélida e constante do vento batia  a todo instante contra meu rosto, sem falar do acúmulo de folhas secas na calçada que fazem um barulho irritante cada vez que se pisa nelas.

Foi exatamente entre o terceiro e o quarto quarteirão à caminho da rodoviária que percebi um barulho de galho seco quebrando logo atrás de mim.

Quando me dei conta da bizarra sombra que observava-me à uma rua atrás, logo abaixo de uma das muitas árvores que haviam ali ignorei, no momento não dei bola, porém quando o estranho indivíduo começou a caminhar em minha direção disparei em uma correria desenfreada, chapado e sem enxergar onde pisava, devo ter esmagado dezenas de folhas que faziam um barulho extremo e irritante. 

Não sei se foi viagem minha, mas no meio da fuga pude perceber, ao olhar de relance para trás que o indivíduo estava "bem vestido", usava um paletó preto junto de uma chamativa gravata vermelha. Em meio à correria acabei por perdê-lo de vista, o que me deixou aliviado e ao mesmo tempo preocupado. 

Depois de filmar com o olhar todo o perímetro, me pus a caminhar novamente com mil e um pensamentos na cabeça, dessa vez caminhava em passos mais largos e apressados, quando de súbito, ouço novamente o mesmo barulho de galho quebrando atrás de mim, dessa vez não pensei duas vezes, meti-me a correr loucamente sem enxergar nada naquela viela onde havia me metido, quando de repente, tropeço feio em algo rígido em meu caminho.

Caí literalmente de cara no chão, se machucando pra valer, foram minutos caído no chão até se recompor da pancada e conseguir orientar-me do que tinha acontecido, acabei por tropeçar em um enorme pedregulho. Tentei levantar, mas antes mesmo de o conseguir, percebi que havia um braço estendido para mim.

Eis que estava parado ali em minha frente com um sinistro sorriso no rosto o estranho sujeito de paletó. Sem tirar o sorriso macabro do rosto, ele exclamou:

- Jovem...

Teria um minuto para ouvir a palavra de deus?

Autor: David Alves Mendes

A questão racial no Brasil


Não é de hoje que temos que lidar com questões raciais, nosso país tem uma imagem manchada por ter sido construído e colonizado com ajuda de mão de obra escravocrata, tanto por parte dos indígenas que já habitavam por aqui, quanto dos negros trazidos da África, seres humanos eram tratados como bichos ao ser trazidos até nossas terras de uma maneira altamente precária, isso por meio dos famosos navios negreiros conhecidos também como "tumba", já que muitos não conseguiam suportar tal cruedade e acabavam por adoecer, contaminando os outros escravos, que acabavam por morrer pouco antes de chegar ao destino, e eram deixados lá, se decompondo e apodrecendo diante de todos os outros "viajantes do navio", sujeitos a se contaminarem com inúmeras outras doenças trazidas pelos fluídos dos cadáveres. Eram mortes envoltas de sofrimento, principalmente por falta de assistência médica, os pobres coitados eram deixados esperando a morte, sem saber o que o destino lhes reservariam.

Ao ancorarem em nossas terras, os mesmos eram levados até as senzalas, famosas pela crueldade, um lugar onde esses escravos trazidos trabalhariam e serviriam de mão de obra para os portugueses sem receber nem mesmo uma remuneração por seus trabalhos, isso sem falar das condições desumanas de trabalho. Os escravos que roubavam, se comportavam mal ou arrumavam confusões, eram amarrados em um tronco e chicoteados sem nenhuma dó por seus feitores. Quando um escravo não aguentava mais a pressão que lhe era submetida, acabava por tentar fugir de seu martírio, mas sem dinheiro ou mantimentos não iam muito longe e, logo eram capturados pelos temidos capitães do mato, ou até mesmo por moradores locais que buscavam algum tipo de recompensa.

Marcas de um passado vergonhoso que nunca esqueceremos

Para os colonizadores de nossa pátria, os escravos, também seres humanos como todos nós, não passavam de meros objetos, mãos de obra geradoras de dinheiro que enriqueceriam os portugueses. Naquela época nossa terra foi invadida por mercenários que se auto intitularam de "colonizadores", esses que não se importavam com o valor da vida, mas por ventura, apenas com dinheiro e poder.

Com um passado desses, manchado por sangue inocente, muitos foram os que abriram os olhos para o que realmente estava acontecendo, com a carnificina que estavam colaborando, e graças a isso, vencemos boa parte do preconceito que ancorou em nossas terras junto com os portugueses, como por exemplo a abolição da escravatura, uma grande conquista, que ainda assim gerou muito sofrimento, porém, de qualquer maneira, ainda existem muitas barreiras a serem quebradas em relação à discriminação racial.

O negro no Brasil é símbolo de resistência, apesar dos pesares do passado, eles continuam batalhadores, honestos e sempre firmes, Eles já sentiram na pele a revolta da dor, agora sim, é a vez de chicotear seus feitores.


Autor: David Alves Mendes

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Inauguração da Biblioteca Municipal de Itapipoca

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Hoje pela manhã tivemos várias inaugurações em Itapipoca e região, frutos de promessas do governo que demoraram mas se concretizaram (coincidentemente próximo a época de eleição, por que será?), como a reforma de diversas praças, creches, escolas, ginásios, unidades básicas de saúde entre outros pontos importantes de acesso para a população, como a tão esperada Biblioteca Municipal.

A biblioteca ainda conta com poucos livros e não tem data definida para funcionamento integral e empréstimos de livros, porém a mesma está aberta a público para quem quiser visitar, conhecer o ambiente e dar uma olhada nas obras que já constam no acervo.

Nossa nova biblioteca possui uma estrutura bonita e ampla, com dois andares e espaço de sobra para os estudantes e leitores aprofundarem seus conhecimentos por meio de uma das maiores fontes de aprendizado, a leitura.

A inauguração contou não apenas com a exposição dos livros ou os discursos dos governantes, mas também uma exposição cultural de crianças representando os velhos tempos usando roupas e alguns acessórios de época, algo bastante simplista que me chamou bastante atenção.

A aglomeração era visível, moradores e visitantes se amontoavam em frente ao prédio esperando as portas se abrirem, e posso garantir, foi muito bom ver algo prometido há anos ser concretizado.

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Matéria e fotografias por: David Alves Mendes