sábado, 25 de abril de 2015

Intervalo da peça

O teatro da vida é real, e em meio aos intervalos você tem um tempo para refletir a trama antes de os panos caírem definitivamente, e outra peça começar.

A cada peça um sentimento é abordado e uma ideia é exposta, e as críticas não ultrapassam as máscaras que retratam a falta de expressão de boa parte da humanidade. E por falar em máscaras, em cada peça você escolhe se usará a felicidade ou a tristeza para cobrir sua face, sua verdadeira face ninguém pode julgar, pois não pode vê-la.

Após os aplausos, quando os panos caírem e as luzes se apagarem, você pode descansar para o ensaio da próxima peça, com um elenco diferente, um novo cenário, ou um novo fim, dependendo do que você decidiu em meio ao intervalo.

Autor: David Alves Mendes

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A capa do livro

Ela estava na livraria com seus pais e a ordem era clara, apenas um livro. Por ser um pouco desmotivada ela sempre largava os livros pela metade, isso quando ela chegava na metade. Dentre tantos livros de diversas proporções, cores e autores, ela se sentiu perdida em meio a um paraíso literário, passou a mão em alguns dos livros, leu alguns trechos, pediu a opinião dos pais que eram experientes leitores, até que chegou a conclusão de levar dois livros, porém quando os mostrou para a mãe, a mesma disse que ela só poderia levar um, assim que terminasse de ler poderia voltar e comprar o outro.

Sendo uma garota indecisa, levou bastante tempo para decidir qual dos dois levaria, ambos pareciam interessantes, enquanto um possuía uma capa simples, sem muitas cores, apenas com o título e o nome do autor com alguns detalhes, o outro era cheio de cores e detalhes, sem falar que a ilustração que havia na capa era uma verdadeira obra de arte. Enquanto fitava ambos, tomou uma decisão íntima de levar o mais chamativo, colorido e ilustrado, afinal, já que só poderia levar um, que fosse o mais bonito.

Ao chegar em casa, logo se dirigiu para o quarto, jogou-se na cama e foi ler seu novo livro, apesar de não ter terminado de ler os últimos que havia comprado. Quando começou a ler passou um bom tempo para decepcionar-se e jogar o livro na estante, tornando o mesmo apenas mais um dentre tantos outros. A capa do mesmo era algo belo, isso não se podia negar, porém o conteúdo não era tão interessante assim para ela.

No outro dia ela telefonou para mãe apenas para dizer que havia terminado o livro na noite anterior e queria que ela passasse para a levar para a livraria, pois gostaria de comprar o outro livro que havia visto. Mais uma vez, mesmo desconfiada, a mãe concordou e ao chegar em casa as duas se dirigiram para a livraria, porém ao chegar lá, a garota não encontrou o livro de nenhuma maneira. Procurou em todas as prateleiras, até mesmo nas de outras categorias, mas ainda assim não encontrou. 

Ao ver um sujeito barbudo a observando, percebeu que se tratava de um funcionário do estabelecimento, repentinamente foi até ele e perguntou se ainda havia tal livro, a resposta do mesmo fez o arrependimento tomar conta da garota, aquele era o último exemplar em todas as filiais, ela havia o encontrado por sorte, era um livro raro por ter um conteúdo incrivelmente discutido entre os amantes da leitura, provavelmente alguém assim que o viu na prateleira não pensou duas vezes ao compra-lo.

Naquele momento um velho ditado lhe veio em mente.

Autor: David Alves Mendes

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Iluminação periódica

david alves mendes






















Por meio de uma elevação de espírito me foi passada a mensagem de que cada um deve buscar sua própria paz, mas isso não lhe impede de ajudar outros a encontrarem seu caminho, pelo contrário,  muitas pessoas lhe proporcionará o sentimento de paz e segurança, e em meio a sua paz estará outras pessoas consideradas importantes para você, muitos gostam de luz, outros preferem a escuridão,  mas todos buscam uma iluminação sobre si, alguns são cercados por um ego gigante que os impedem de verem a luz, chegarem até ela, ou mesmo permitir que outras pessoas se acheguem, e uma abertura em meio a essa mente pedrada, esse ego enorme, pode rompe-los lhe mostrando o caminho. 

Você precisa derrubar seus obstáculos para eles não lhe derrubarem no caminho, e por mais que caia, a força de se levantar será maior, por mais que se machuque, a coragem será maior, e por mais que a vontade de prosseguir falte, a força de vontade será maior. Até os mais fracos permanecem fortes até o último momento, todos foram criados para errar, corrigir e superar, acima de tudo evoluir, ser forte na constante busca da paz, do amor, e da felicidade, elas se encontram dentro de você,  moram em seus pensamentos, suas atitudes, ações, e seus pensamentos movem você,  você é fruto do que pensa, portanto cultive sempre bons sentimentos e pensamentos para colhê-los constantemente e compartilhá-los. 

A sabedoria provém da simplicidade e do respeito de uma mente aberta, a gratidão é a recompensa da solidariedade, que assim como o perdão e o amor, são grandes virtudes.

Autor: David Alves Mendes

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Quadro Torto

Na parede da sala de minha madrinha tem um quadro posicionado um pouco torto, nem tão reto para ficar proporcionalmente alinhado e nem tão torto para chamar atenção ou incomodar visualmente, talvez por isso ninguém se preocupe em posicioná-lo melhor.

É uma coisa mais que simples, talvez imperceptível para alguns, mas esse quadro me lembra um pouco minha vida de modo geral, não exatamente o quadro, mas sua posição. Nem tão organizada para ser considerada perfeita e nem tão fora do lugar para ser considerada ruim. 

Feita de altos, baixos e médios, por onde caminho as vezes tropeçando, quase caindo, mas firme, não suspenso por um prego penetrado na parede, mas firme por minha força de vontade e ânimo, uma força natural penetrada em meu espírito. Uma vida desproporcional e firme.

E o que deixa tudo mais interessante e equilibrado é essa pequena desproporção. 

Autor: David Alves Mendes

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Insônia de pensamentos

Mais uma noite sem dormir, com um fluxo intermitente de pensamentos e preocupações, talvez um excesso de ansiedade, o sol já apareceu assim como as olheiras que marcam literalmente em minha face o acúmulo de dias em claro. Durante a madrugada a vida parece ser mais complicada do que realmente é, principalmente quando se está sozinho cercado de um clima entediante, é nessas horas que imagino o que seria da humanidade sem a primeira arte, que nos acompanha em todos os momentos, marcando-os em cada nota.

A rotina se segue, pessoas se dirigindo para a escola, outros para o trabalho, alguns se levantam mais cedo para caminhar, outros até para comprar um pão mais fresco na padaria mais próxima enquanto eu permaneço sentado, parecendo estar em um traço linear de melancolia que se expande por toda a extensão, assim como as palavras se expandem formando um texto enquanto digito meio rápido e desajeitado. Com uma expressão de cansaço me dirijo até a cozinha e volto passando a mão na cabeça enquanto lamento a falta de cafeína, mas isso não é problema, o café de minha avó é um dos melhores, e tenho o prazer de saboreá-lo todos os dias. Acredito que em sua juventude tudo era talvez mais interessante do que hoje em dia, existiam mais valores, as manhãs talvez fossem mais bonitas, os celulares eram feitos de barbante e latas de achocolatado vazias, e os relacionamentos eram mais duradouros.

Hoje em dia tudo parece artificial, mas é bom saber que por mais que sejam poucas, ainda existam pessoas que valorizam as coisas boas da vida, como o amor, o amor verdadeiro, e não o artificial que as pessoas criam para iludirem umas as outras, me refiro ao sentimento que lhe faz comprar flores, chocolates, dobra sua ansiedade, faz seu coração acelerar e aumenta seu desejo de estar ao lado daquela pessoa especial, aquela pessoa que mora em seu pensamento, me refiro simplesmente ao sentimento que não lhe deixa dormir a noite, graças a outro sentimento, um pouco cruel, chamado saudade.

Autor: David Alves Mendes

terça-feira, 7 de abril de 2015

Antagonistas

Por mais distantes que fôssemos um do outro, você estava presente em minha vida de um modo constante,  a falta de aproximação não fazia tanta diferença,  porém era difícil imaginar o quanto tínhamos e temos em comum.

Eu estava lá, e você viu, assim como eu vi você,  e por uma obra do acaso só nos aproximamos um tempo depois. Coincidentemente no momento em que mais precisava de você, você me apareceu, e me chamou atenção com algo simples e rotineiro, talvez não obra do acaso ou coincidência,  mas um plano de Deus.

Em meio a tantas pessoas, logo notei você,  como em um filme clichê, onde o protagonista se apaixona pela antagonista. No nosso caso, ambos somos antagonistas, mas ao seu lado me sinto um protagonista. Eu poderia dizer que antes de conhecê-la você estava logo abaixo de meu nariz, mas abaixo de meu nariz está minha boca, e uma coisa que posso dizer, ela gosta da sua.

Autor: David Alves Mendes

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Depois de um dia de encontros e decisões, chego em casa com os fones tocando Pethit, a primeira coisa que vejo é meu gato adormecido sobre o sofá da sala. Tiro a camisa e acendo um cigarro. Apoiado sobre a mesa em meio a tragadas e olhadas no espelho côncavo, percebo que me faltam meus óculos, algo que não é de se admirar levando em conta meus supérfluos esquecimentos, mas não somente isso, também me falta no rosto um sorriso, quem sabe um pouco de ânimo, me falta empolgação, me falta você ao meu lado.

Autor: David Alves Mendes

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Alguém para aturar, alguém para amar

Queria alguém que aturasse minhas bobagens, minha carência, minhas músicas, meus cigarros, meus textos, meus livros, minhas ideias, meus assuntos, minhas declarações repentinas, meu sentimentalismo, meu carinho, minhas manias, minha fidelidade, meus ciúmes, meu jeito de ser. Alguém que dormisse comigo ouvindo o tique taque do relógio e acordasse ao meu lado à ouvir o cantar dos pássaros.

Uma pessoa para compartilhar minha felicidade, meus segredos, minha confiança, alguém para matar minha solidão, roubar meus pensamentos inúteis, assistir à filmes clichês comigo, sair de mãos dadas, ir à biblioteca, à praças, à espetáculos artísticos, à lugares simples. Alguém que me faça mudar o status de relacionamento não só nas redes sociais, mas na vida real. 

Alguém para abraçar repentinamente, beijar em público, declarar meu amor, tirar fotos diversas, jogar jogos bobos, dedicar poesias, fazer surpresas, virar noites, fazer amor, fazer brotar sorrisos em ambas faces.

Alguém que eu possa chamar de companheira, de amor, dar presentes, dar confiança, mostrar minha simplicidade, viajar, apresentar à minha família e amigos, alguém para valorizar e dar uma pitada de gosto em minha vida, estar ao meu lado, alguém que também valorize a liberdade e seja simples, alguém para aturar, alguém para amar.

Autor: David Alves Mendes